quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Van Gogh sofreu da doença

Vincent era uma criança séria, quieta e introspectiva. Desenvolveu através dos anos uma grande amizade e forte ligação com seu irmão mais novo, Theo. A vasta correspondência entre Theo e Vincent foi preservada e publicada em 1914 (Cartas a Theo), trazendo a público inúmeros detalhes da vida privada do pintor, bem como de sua personalidade. É através destas cartas que se sabe que foi Theo quem suportou financeiramente o irmão durante a maior parte da sua vida.

Vincent tinha sérios distúrbios de humor. Aos 35 anos, após uma tentativa de agressão com uma navalha a Paul Gauguin, de quem era amigo, cortou um pedaço de sua prórpia orelha direita, embrulhou em um lenço e levou, como presente, a uma prostituta amiga. Retornou à sua casa para dormir como se nada acontecera. A polícia foi avisada e encontrou-o sem sentidos e ensangüentado, levando-o ao hospital da cidade.

Após 14 dias no hospital, van Gogh pinta o Auto-Retrato com a Orelha Cortada (foto). Quatro semanas depois, ele apresenta sintomas de paranóia e imagina que querem envenená-lo. Os cidadãos de Arles, onde morava, solicitam seu internamento definitivo e van Gogh passa a viver no hospital de Arles como paciente e preso.

Aos 36 anos, pediu para ser internado no hospital psiquiátrico em Saint-Paul-de-Mausole, perto de Saint-Rémy-de-Provence, na Provença. Um ano depois, deixou a clínica e mudou-se para perto de Paris, onde podia estar mais perto do seu irmão e frequentar as consultas do doutor Paul Gachet, um especialista habituado a lidar com artistas. Gachet não conseguiu melhorias no estado de Vincent.

A depressão se agravava e em 27 de Julho de 1890, depois de semanas de intensa atividade criativa (nesta época Van Gogh pintava, em média, um quadro por dia), Van Gogh foi ao campo e disparou um tiro contra o peito. Arrastou-se de volta à pensão onde se instalara e morreu, dois dias depois, nos braços de Theo. As suas últimas palavras, dirigidas a Theo, teriam sido: "La tristesse durera toujours"("A tristeza durará para sempre").

Na ocasião, o diagnóstico de van Gogh mencionava perturbações epiléticas. As crises ocorriam de tempos em tempos, precedidas por sonolência e em seguida apatia. Tinham a média de duração de duas a quatro semanas, período no qual van Gogh não conseguia pintar. Nestas crises predonimavam a violência e as alucinações. No entanto, van Gogh tinha consciência de sua doença e lhe era repulsivo viver com os demais doentes mentais da instituição.

A doença de van Gogh foi analisada durante os anos posteriores e existem várias teses sobre o diagnóstico. Alguns, como o doutor Dietrich Blumer, em artigo publicado no American Journal of Psychiatry, mantém o diagnóstico de epilepsia do lobo temporal, agravada pelo uso do absinto, que o pintor bebia. O absinto possuía como principal ingrediente uma planta alucinógena de nome Artemisia absinthium e sua graduação alcóolica era de 68%. Conhecido como "fada verde", devido aos efeitos alucinógenos, foi responsabilizado por alucinações, surtos psicóticos e mesmo mortes.

Existem outras hipóteses diagnósticas para van Gogh, dentre elas a esquizofrenia e o transtorno bipolar, sendo o último o diagnóstico mais consensual entre os estudiosos.

Na família de van Gogh existem outros casos de transtorno mental. Seu irmão Théo faleceu de “demência paralítica” causada pela sífilis, mas há relatos de que sofria de depressão e ansiedade ao longo da vida. Sua irmã, Wilhelmina, era esquizofrênica e viveu por 40 anos em um manicômio. O irmão Cornelius também cometeu suicídio, aos 33 anos.

Entrevista com bruno galiasso (esquizofrênico em caminho das índias)

B Galiasso Papel de esquizofrênico

Seu personagem terá uma banda como a Harmonia Enlouquece?
Vai ser a própria Harmonia Enlouquece. Tarso passará por vários tratamentos e o que, realmente, vai ajudá-lo é o tratamento que Nise da Silveira dava, que é por meio da arte. No caso dele, é a música. A novela vai falar da reintegração do esquizofrênico, do louco, na sociedade. Essa é a minha função.

A preparação para o Tarso foi a mais difícil na sua carreira?
Não digo a mais difícil, talvez até a mais prazerosa. Gosto disso. Vivo disso, só sei fazer isso, é o meu trabalho, é esse desafio que me estimula. Foi assim com o Júnior (de América, também de Gloria Perez, exibida em 2005), quando tive de estudar Lacan (o psicanalista Jacques Lacan). Fui tentar entender o que leva alguém a ser homossexual. Não é uma opção. A pessoa não escolhe ser discriminado, ser desrespeitado... E agora não é diferente com Tarso.

O fato de ter montado Um Certo Van Gogh (peça que esteve em cartaz ao longo de 2008) o ajudou?
Sem dúvida. Eu lembro que, quando Gloria me ligou, a 1 hora da manhã, disse: “Tenho um presente para você. E eu: “Mais do que o Júnior?” “Você não está entendendo... Você fará um esquizofrênico”. Eu: “Como assim? Estou fazendo Van Gogh”. “Não acredito!” E Van Gogh era esquizofrênico, bipolar... Eu já tinha lido muita coisa, inclusive livros da Nise da Silveira. Foi muita sincronicidade mesmo, energia, tudo conspirou a favor. Era para ser.

A esquizofrenia do Tarso já começou a dar sinais na história...
É lógico que ele já tem predisposição à esquizofrenia, mas o que desencadeará tudo é a pressão familiar. A pressão do pai, essa história com a mãe, que projeta nele tudo e esquece a irmã, que é rejeitada. O negócio do Tarso é outro, é a arte.

O que será mostrado no ar?
Será mostrado como acontece as primeiras internações, o preconceito da família em não levar o doente para uma clínica porque não quer que ninguém saiba... É uma campanha linda! Vai modificar a vida de muita gente, de todos nós. Mudará muito nosso conceito sobre o louco.

O que mais o surpreendeu durante a pesquisa para compor o Tarso?
A consciência deles (dos esquizofrênicos). Vou dar um exemplo: havia um dos integrantes da banda, que, quando eu fui a um ensaio, ele não compareceu. Ele estava em crise. Tempos depois, quando eu o encontrei, ele disse: “Pô, hoje eu não estou tão doidão”. Eles têm consciência, sabem muito bem que estão em crise.

Chegou a ficar assustado?

Você fica um pouco, não tem como não ficar. Quer dizer... Assustado não é a palavra, você fica hipnotizado. Fica ali olhando, querendo entender tudo aquilo. E só vai conseguir com o tempo, estudando, conhecendo...

John Nash, um exemplo de superação

John Forbes Nash Jr.

é um matemático norte americano. Compartilhou o Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel de 1994.

Nash também é conhecido por ter tido sua vida retratada no filme Uma mente brilhante, vencedor de 4 Oscars (indicado para 8), baseado no livro-biográfico homônimo, que apresentou seu gênio para a matemática e sua luta contra a esquizofrenia.

Sua relação com a Esquizofrenia

Nash começou a mostrar sinais de esquizofrenia em 1958, quando ainda estudava. Seu estado agravou-se para a paranóia e foi levado ao Hospital McLean, quando foi diagnosticado com esquizofrenia paranóica e depressão com baixa auto- estima. Depois de uma problemática estadia em Paris e Genebra, Nash retornou a Princeton em 1960. Permaneceu dentro e fora de hospitais psiquiátricos até 1970, onde passou por tratamentos que utilizavam Eletroconvulsoterapia e medicamentos anti psicóticos. Depois de 1970, à sua escolha, ele nunca mais tomou medicação antipsicótica novamente. Segundo Nasar, sua biógrafa, Nash começou a desenvolver uma recuperação gradativa com o passar do tempo. Ele foi tão genial que tomou conhecimento da própria doença, e decidiu se tratar, ele tinha a doença mas conseguia a controlar. Ele casou e teve um filho com a mesma deficiência que ele.


By: Raquel Matiello =D - Respeite os Esquizofrênicos e outros deficiêntes