B Galiasso Papel de esquizofrênico
Seu personagem terá uma banda como a Harmonia Enlouquece?
Vai ser a própria Harmonia Enlouquece. Tarso passará por vários tratamentos e o que, realmente, vai ajudá-lo é o tratamento que Nise da Silveira dava, que é por meio da arte. No caso dele, é a música. A novela vai falar da reintegração do esquizofrênico, do louco, na sociedade. Essa é a minha função.
A preparação para o Tarso foi a mais difícil na sua carreira?
Não digo a mais difícil, talvez até a mais prazerosa. Gosto disso. Vivo disso, só sei fazer isso, é o meu trabalho, é esse desafio que me estimula. Foi assim com o Júnior (de América, também de Gloria Perez, exibida em 2005), quando tive de estudar Lacan (o psicanalista Jacques Lacan). Fui tentar entender o que leva alguém a ser homossexual. Não é uma opção. A pessoa não escolhe ser discriminado, ser desrespeitado... E agora não é diferente com Tarso.
O fato de ter montado Um Certo Van Gogh (peça que esteve em cartaz ao longo de 2008) o ajudou?
Sem dúvida. Eu lembro que, quando Gloria me ligou, a 1 hora da manhã, disse: “Tenho um presente para você. E eu: “Mais do que o Júnior?” “Você não está entendendo... Você fará um esquizofrênico”. Eu: “Como assim? Estou fazendo Van Gogh”. “Não acredito!” E Van Gogh era esquizofrênico, bipolar... Eu já tinha lido muita coisa, inclusive livros da Nise da Silveira. Foi muita sincronicidade mesmo, energia, tudo conspirou a favor. Era para ser.
A esquizofrenia do Tarso já começou a dar sinais na história...
É lógico que ele já tem predisposição à esquizofrenia, mas o que desencadeará tudo é a pressão familiar. A pressão do pai, essa história com a mãe, que projeta nele tudo e esquece a irmã, que é rejeitada. O negócio do Tarso é outro, é a arte.
O que será mostrado no ar?
Será mostrado como acontece as primeiras internações, o preconceito da família em não levar o doente para uma clínica porque não quer que ninguém saiba... É uma campanha linda! Vai modificar a vida de muita gente, de todos nós. Mudará muito nosso conceito sobre o louco.
O que mais o surpreendeu durante a pesquisa para compor o Tarso?
A consciência deles (dos esquizofrênicos). Vou dar um exemplo: havia um dos integrantes da banda, que, quando eu fui a um ensaio, ele não compareceu. Ele estava
Chegou a ficar assustado?
Você fica um pouco, não tem como não ficar. Quer dizer... Assustado não é a palavra, você fica hipnotizado. Fica ali olhando, querendo entender tudo aquilo. E só vai conseguir com o tempo, estudando, conhecendo...
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